sábado, 25 de janeiro de 2020
domingo, 1 de março de 2015
Papo furado
Ferreira Gullar
Vou dizer aqui uma coisa que você talvez não acredite: nunca pensei em me tornar conhecido, muito menos famoso.
É verdade que sempre fui atrevido, pensando por minha conta e risco. Quando ainda adolescente, afirmei, certa vez, na presença de um padre, que não acreditava em Deus e passei a enumerar argumentos, o padre, escandalizado, afastou-se exclamando: "Ih, filósofo, filósofo!".
É claro que quem defende ideias polêmicas termina chamando atenção para si, mas não era esse o meu propósito: só queria afirmar meu ponto de vista, o que, aliás, faço até hoje.
O leitor, porém, poderia alegar, contra minha suposta modéstia: não queria ser conhecido, mas seu primeiro emprego foi o de locutor de rádio... É verdade, mas não o busquei, fui levado por um amigo que trabalhava na Rádio Timbira do Maranhão. Fiz o teste, fui aceito e, modestamente, adotei um pseudônimo: Afonso Henrique.
Aliás, o que mais tive na vida foram pseudônimos, em parte para fugir da polícia, é verdade. Nada mais coerente, uma vez que, se não desejava ser conhecido, muito menos queria que o fosse pelos agentes do DOI-Codi.
Estou certo de que, à mente do leitor, ocorrerá uma indagação inevitável: se eu não sonhava em ser famoso, por que me tornei poeta?
Sei que você não vai acreditar, mas a verdade é que jamais havia pensado em me tornar poeta, nem mesmo sabia que isso me tornaria conhecido. Veja bem, eu tinha 13 anos, nascido na família do quitandeiro Newton Ferreira, com dez irmãos e numa casa onde não havia livros; só havia exemplares da revista "Detective", leitura predileta de meu pai, enquanto eu e meus irmãos líamos histórias em quadrinhos. Talvez por isso, quando, pela primeira vez, li um poema, levei um susto.
Um susto bom, tão bom que tive vontade de escrever coisas bonitas como aquelas. Era uma ideia de jerico, sem muito propósito, já que, na minha infundada opinião, todos os poetas já haviam morrido (Camões, Bocage, Gonçalves Dias, Castro Alves) e, ainda assim, decidi entregar-me àquela atividade de defuntos.
A maior prova de que não queria ser conhecido foi trocar meu nome verdadeiro por um pseudônimo. Por isso mesmo, até hoje, quando alguém me pergunta se sou eu o poeta Ferreira Gullar, respondo: "Às vezes". Sim, porque, às vezes, sou José de Ribamar Ferreira; aliás, na maioria das vezes.
Mas o famoso não é ele, é o outro, o Gullar. E veja você, embora o subversivo fosse o Gullar e não o Ribamar, no final das contas, para minha surpresa, era este e não o outro que a polícia da ditadura buscava.
Só soube disso, mais tarde, aliás, tarde demais, depois que retornara do exílio, dado como absolvido pelo STM (Superior Tribunal Militar).
Ao receber o documento do STM informando-me da absolvição, não era o Gullar nem o José de Ribamar Ferreira que tinham sido processados e julgados, mas outro Ribamar, também maranhense, de quem nunca ouvira falar.
Soube depois que ele aderira à luta armada, na certeza de que, juntamente com Marighella e mais meia dúzia de revolucionários, ia derrotar o Exército, a Marinha e a Aeronáutica, além de todas as polícias militares do país. Eu, o Ribamar, filho de dona Zizi e do Newton Ferreira, era menos insensato.
A verdade, porém, é que, querendo ou não, me tornei conhecido e, mais ainda, agora, ao ser eleito para a ABL (Academia Brasileira de Letras).
Mal sabia eu o que estava perdendo, negando-me a candidatura à ABL. Nunca fui tão cumprimentado e saudado nas ruas do bairro quanto agora. Descobri, assim, que, se a consagração erudita é dada pela crítica literária, a consagração popular é dada pela ABL.
Agora sou saudado pelo vendedor de picolé, pelo barraqueiro da feira, pela moça do caixa do supermercado. Não há um dia em que saia de casa, para ir à farmácia ou à banca de jornais, que não seja cumprimentado por numerosos e simpáticos desconhecidos.
Não resta dúvida de que boa parte dessa popularidade se dá graças à televisão. Ainda assim, como explicar que um mendigo, imundo e seminu, murmure ao me ver passar: "Poeta Gullar, imortal!".
No fundo, todos repetem aquela mesma frase do cara, também bêbado, que, anos atrás, quando me viu atravessando a rua, gritou: "Ferreira Gullar, famoso e eu não sei quem é!". Nem eu, tampouco.
Para Susana de Moraes, meu adeus carinhoso.
Folha de S. Paulo, 1/2/2015
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
A Arte da Educação Humana Habilidosa – Práticas Educacionais com Base no Humanismo Ikeda
Esta obra é, portanto, um convite aos que buscam por uma nova possibilidade, caminhos inovadores se descortinando e multiplicando-se por salas de aula, pátios, jardins, praças, ruas e avenidas. Por uma educação que realmente transforme e contribua para a formação de uma geração de novos cidadãos plenos e prontos para os desafios desta nova era.
sábado, 4 de junho de 2011
Carnaval 2012 - Enredo da Beija Flor
Sem saber o que esperar, três Coroas te cobiçaram as riquezas, os relatos do Novo Mundo inflamaram as paixões, por cidades de ouro puro a serem descobertas, de fantásticos prazeres, ilusão hiperbólica dos seres, transformados em quimera bestial.
A França te fundou, Holanda te invadiu, mas Portugal conseguiu, por fim, te colonizar. Mas para tanto, o que se deu foi um quadro medonho e triste, que, ao surgir, no mar se achou. Abrindo as velas ao soprar das virações marinhas, surge espectro sombrio. Em meio às brumas, desenha grande navio, que traz um canto funeral. Choro, amargura e horror fazem do cúmulo da maldade, a mordaça da liberdade para triste multidão; o navio da escravidão, ferida aberta nos mares, vem macular os ares de São Luís do Maranhão.
Fatalidade atroz, envolve reis e rainhas, soberanos de selvas longínquas da majestade dos leões. Ontem belos, livres e bravos, agora míseros escravos; sem luz, sem lar, sem amplidões. E a terra se desdobra, cresce, evolui, se renova, a ferro, fogo e escravidão. Mas nos planos divinos, nos reinos cristalinos, nos píncaros da luz eterna, surge nova terra, cultivada à força da oração.
Upaon-Açu, ressurge agora mística no poder dos voduns e ao som dos tambores de Daomé, na manifestação dos antigos e na força do candomblé. Desse misticismo santo, surge a alegria e o encanto das festas que te enfeitam, por vezes, como o Boi morto e ressuscitado da negra mãe Catirina, celebração divina em meio a enfeitados casarões de azulejos portugueses; teu folclore tem brilho farto, que à tua riqueza conduz.
Terra dos ludovicenses, Ilha do Amor e dos mitos da Fonte do Ribeirão, da terrível serpente encantada, da lenda da praia do olho dágua, de Iná princesa, e do milagre de Guaxenduba.
Fala-se de uma sinhá incompreendida, que virou assombração, e no soar da meia-noite, surge o espectro sinistro, ouvem-se o ranger de correntes, estalar de açoites, seres sombrios como a noite, escravos arrastados em imenso turbilhão.
E a Sinhá Ana Jansen sofre agora, aprisionada em carruagem encantada por antigos escravos seus, furiosos, desesperados, cortejo de celerados, esquecidos filhos de Deus. E a cena só termina, quando o galo, na campina, anuncia o dia raiar.
São Luís, capital do Maranhão, terra de Alcione, de Joãozinho Trinta, de Zeca Baleiro, de Rita Ribeiro, do Reggae Brasileiro, de Gonçalves Dias, de Ferreira Gullar e Josué Montelo. Vestindo a fantasia, vem celebrar nossa folia o fofão, o vira-lata, cruz-diabo, o corso do meretrício e as cabrochas a brincar com os mascarados dos salões do Moisés.
Em meio a tanta festa reluz o Eldorado da bauxita, minério batizado pela Coroa que te fundou e que desconheceu essa tua riqueza, que hoje é chama acesa para que possas progredir; na luz dos céus incomparáveis do futuro que te aguarda, na imensidão, para te consagrar, enfim, São Luís, pérola sagrada da Coroa encantada do glorioso Maranhão.
Laíla
Diretor Geral de Carnaval
Laíla, Fran Sérgio, Ubiratan Silva, Victor Santos e André Cezari
Comissão de Carnaval
Bianca Behrends
Pesquisa e Documentação Artística
A França te fundou, Holanda te invadiu, mas Portugal conseguiu, por fim, te colonizar. Mas para tanto, o que se deu foi um quadro medonho e triste, que, ao surgir, no mar se achou. Abrindo as velas ao soprar das virações marinhas, surge espectro sombrio. Em meio às brumas, desenha grande navio, que traz um canto funeral. Choro, amargura e horror fazem do cúmulo da maldade, a mordaça da liberdade para triste multidão; o navio da escravidão, ferida aberta nos mares, vem macular os ares de São Luís do Maranhão.
Fatalidade atroz, envolve reis e rainhas, soberanos de selvas longínquas da majestade dos leões. Ontem belos, livres e bravos, agora míseros escravos; sem luz, sem lar, sem amplidões. E a terra se desdobra, cresce, evolui, se renova, a ferro, fogo e escravidão. Mas nos planos divinos, nos reinos cristalinos, nos píncaros da luz eterna, surge nova terra, cultivada à força da oração.
Upaon-Açu, ressurge agora mística no poder dos voduns e ao som dos tambores de Daomé, na manifestação dos antigos e na força do candomblé. Desse misticismo santo, surge a alegria e o encanto das festas que te enfeitam, por vezes, como o Boi morto e ressuscitado da negra mãe Catirina, celebração divina em meio a enfeitados casarões de azulejos portugueses; teu folclore tem brilho farto, que à tua riqueza conduz.
Terra dos ludovicenses, Ilha do Amor e dos mitos da Fonte do Ribeirão, da terrível serpente encantada, da lenda da praia do olho dágua, de Iná princesa, e do milagre de Guaxenduba.
Fala-se de uma sinhá incompreendida, que virou assombração, e no soar da meia-noite, surge o espectro sinistro, ouvem-se o ranger de correntes, estalar de açoites, seres sombrios como a noite, escravos arrastados em imenso turbilhão.
E a Sinhá Ana Jansen sofre agora, aprisionada em carruagem encantada por antigos escravos seus, furiosos, desesperados, cortejo de celerados, esquecidos filhos de Deus. E a cena só termina, quando o galo, na campina, anuncia o dia raiar.
São Luís, capital do Maranhão, terra de Alcione, de Joãozinho Trinta, de Zeca Baleiro, de Rita Ribeiro, do Reggae Brasileiro, de Gonçalves Dias, de Ferreira Gullar e Josué Montelo. Vestindo a fantasia, vem celebrar nossa folia o fofão, o vira-lata, cruz-diabo, o corso do meretrício e as cabrochas a brincar com os mascarados dos salões do Moisés.
Em meio a tanta festa reluz o Eldorado da bauxita, minério batizado pela Coroa que te fundou e que desconheceu essa tua riqueza, que hoje é chama acesa para que possas progredir; na luz dos céus incomparáveis do futuro que te aguarda, na imensidão, para te consagrar, enfim, São Luís, pérola sagrada da Coroa encantada do glorioso Maranhão.
Laíla
Diretor Geral de Carnaval
Laíla, Fran Sérgio, Ubiratan Silva, Victor Santos e André Cezari
Comissão de Carnaval
Bianca Behrends
Pesquisa e Documentação Artística
sábado, 8 de janeiro de 2011
Eventos Internacionais de 2011
Feira do Livro de Gastronomia e do Vinho de Paris - 2 a 6 de março - França No dia 2, antes da abertura oficial da feira o Prêmio Gourmand Book Award terá os nomes dos vencedores revelados. Durante o evento livros de gastronomia e de vinho, do mundo inteiro, estarão presentes. Neste ano a previsão é de que em torno de 4 mil profissionais do livro, de mais de 45 diferentes países, estarão expondo, entre os quais Alemanha, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Estados Unidos, Inglaterra, Itália, Japão, Líbano, Malásia, México, Peru entre outros. E a França, é claro! | |
Associação Americana de Bibliotecários (ALA) - 24 a 27 de junho - Nova Orleans, EUA Anualmente os Bibliotecários norte Americanos se reúnem numa grande conferência e exposição de livros, Associação Americana de Bibliotecários (ALA). A CBL participará pela primeira vez da ALA. Esta iniciativa está alinhada com o ranqueamento de mercados-alvo, elaborado pela Unidade de Inteligência Comercial da Apex-Brasil e, que posicionou os Estados Unidos entre os oito mercados prioritários para o Brazilian Publishers. Também está em concordância com o interesse crescente das editoras em aumentar o volume de negócios realizados com as bibliotecas norte americanas. O perfil dos frequentadores da ALA é de 88% de tomadores de decisão, ou seja, nove em cada dez participantes têm poder para fechar negócios. | |
Feira do Livro Infanto-juvenil da Bolonha - 28 a 31 de março - Itália Mais de 20 mil m2 receberão cerca de 1300 expositores vindos de quase 70 países. São editores, agentes literários, ilustradores, tradutores e em torno de 600 jornalistas das mais importantes mídias do mundo. Bolonha é o momento mais esperado pelos empresários e ilustradores de livros infanto-juvenis. O país convidado dessa edição é a Lituânia que promoverá uma importante Exposição de seus Ilustradores. Não podemos deixar de mencionar – o Bologna Ragazzi Award – que vai premiar os melhores livros infanto-juvenís de Ficção, Não-Ficção, Estreantes e livros da América Latina e da África (categoria Novos Horizontes). Para saber mais, clique aqui | |
Feira do Livro de Frankfurt - 12 a 16 de outubro - Alemanha Os organizadores da maior feira de livros do mundo aguardam cerca de 7.300 exibidores de mais de 100 países. Em Frankfurt as pessoas que vão representar suas empresas no fechamento de negócios, são altamente respeitadas como lideres de opinião em suas áreas: 77% delas tomam decisões nas empresas em que trabalham. Como, em quatro dias, é impossível assistir aos três mil eventos da feira, é importante chegar lá com sua agenda definida. Uma oportunidade única para quem quer realizar negócios em literatura e uma delícia para quem gosta de ler. Convidada de honra da Feira de 2011, a Islândia (que fica entre a Groenlândia e a Noruega) vai ter chance de mostrar sua história, identidade cultural, literatura e arte para o mundo inteiro. O Brasil será o convidado da feira de 2013. | |
Feira Internacional do Livro de Guadalajara - 26 de novembro a 4 de dezembro - México A Alemanha vai ser a convidada de honra e ganhará destaque especial na Feira Internacional do Livro de Guadalajara. Mais conhecida como FIL Guadalajara, ela é o maior evento do livro da língua hispano americana no mundo. Poderão ser vistos nos seus pavilhões os estandes de quase duas mil editoras de mais de 40 países que levarão cerca de 400 mil títulos para o México. Há uma programação cultural intensa e muitos autores da América Latina e da Espanha participam de mesas debatedoras. Na edição de 2011 os organizadores da FIL Guadalajara e a CBL preparam novidades para os expositores brasileiros. | |
Missões Comerciais e Brazilian Publishers Experience Além das Feiras internacionais acontecerão, também, as Missões Comerciais e as Missões Cultura Exportadora. As missões comerciais serão em Angola e Moçambique, em maio e setembro, respectivamente. As missões Cultura Exportadora serão momentos de puro aprendizado para os empresários que estão se iniciando no mercado internacional. Em outras palavras, os editores viajam para uma feira internacional não como expositores, mas para entender como tudo funciona na prática. A gerência do projeto organiza a agenda e demais atividades que serão realizadas durante as reuniões de negócios. Brazilian Publishers Experience é o nome fantasia dos projetos Comprador e Imagem. corner. | |
Brazilian Publishers Experience - Comprador Tem como objetivo a realização de rodadas de negócios, no Brasil, entre compradores estrangeiros e os exportadores brasileiros, empresários participantes do Projeto Brazilian Publishers. A vantagem desse tipo de ação é que o empresário brasileiro não precisa deslocar-se para o exterior para realização de negócios, uma vez que o Brazilian Publishers organiza e custeia a vinda de compradores de outros países ao Brasil para os encontros comerciais. O Brazilian Publishers Experience – Comprador permite, ainda, ao importador, conhecer a estrutura produtiva das empresas brasileiras, colaborando para o estreitamento comercial entre exportador e comprador. | |
Brazilian Publishers Experience – Imagem Acontece para auxiliar na melhoria da imagem do país, mas fundamentalmente, a imagem do setor editorial brasileiro e das empresas apoiadas pelo Brazilian Publishers, bem como contribuir com uma mudança da percepção nos mercados externos sobre a qualidade e o valor atribuídos aos serviços brasileiros. Tal ação consiste na visita ao Brasil de formadores de opinião estrangeiros, tais como jornalistas especializados, editores ou técnicos especialistas, para melhor conhecerem o país e terem uma visão aprofundada dos setores produtivos e das empresas brasileiras beneficiadas pelo PSI. O projeto Brazilian Publishers organiza e custeia a vinda dessas pessoas, que em 2011 irão participar da FLIP – Paraty. | |
Mais informações pelo e-mail brazilianpublishers@cbl.org.br |
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
A educação como produto do meio
O poeta Ferreira Gullar fala de sua visão particular sobre o processo educacional - a de que, na verdades, tudo e todos são agentes constantes de educação, e não somente a escola. E defende a melhor formação dos professores. Além, é claro, de melhores salários. |
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Ferreira Gullar Um dos mais celebrados poetas da história moderna brasileira, o maranhense Ferreira Gullar exerceu várias atividades antes de publicar o que muitos consideram a sua obra-prima, “Poema Sujo”, em 1976. Antes disso, Gullar trabalhou como redator em jornais, escreveu peças de teatro e foi diretor da Fundação Cultural de Brasília. Entre estas atividades, o escritor também foi um dos presidentes do Centro Popular de Cultura da maior entidade estudantil do país, a União Nacional dos Estudantes (UNE), em 1963. Além de todas estas atividades, também exerceu o seu lado educador. Num de seus discursos mais ferozes, pronunciado em 1983, Gullar, que completou 77 anos no último dia 10 de setembro, ressaltou a importância da educação para a mudança dos paradigmas de sociedade. Além disso, o poeta reforça a temática do “homem como produto do meio”, recorrente da teoria conhecida como determinismo, e lembra que em uma sociedade que trata seus cidadãos com injustiça, a tendência é que a própria educação seja injusta. Passados 24 anos do referido discurso, o poeta fala de algumas das suas posições exprimidas naquela ocasião, comenta o estágio atual da educação no país e fala da importância da classe docente para a formação do cidadão. O texto acima foi escrito há mais de 20 anos. O que mudou na sua visão sobre a educação ao longo deste período? Ferreira Gullar - Não diria hoje que a sociedade injusta educa para a injustiça. Na sociedade injusta há pessoas justas, que educam para o melhor. Em linhas gerais, o Brasil avançou ou retrocedeu na área educacional nas últimas décadas? Creio que avançou, pelo menos no que diz respeito ao ensino fundamental. Hoje temos praticamente quase todas as crianças em idade escolar matriculadas. É possível pensar num modelo de educação eficaz e transformador numa sociedade tão marcadamente injusta como a brasileira? Sim, é possível. A vida é inventada e, por isso mesmo, as coisas podem ser mudadas e melhoradas. Exatamente porque a sociedade é injusta é que devemos lutar para mudá-la e ensinar melhor as pessoas. Acredita que, historicamente, a escola tem servido como reprodutora do sistema social estabelecido, em vez de atuar como um agente de transformação da sociedade? Em grande parte sim, a escola reproduz o sistema social estabelecido. Por isso, é preciso preparar os professores para que compreendam melhor e ensinem melhor. Não se trata de fazer tábula rasa do que existe, já que isso é impossível e, além do mais, errado. Nem tudo o que se ensina está errado, certo? De onde vêm os piores exemplos para a área educacional? Seria mesmo da classe política? A classe política dá um mal exemplo, embora existam exceções. Na maioria dos casos é o que se tem visto. Mas não são só os políticos que, com seu exemplo, educam mal. Partindo desse princípio - de que todos somos educadores - seria correto imaginar que a verdadeira revolução da educação se dará não somente nas escolas, mas principalmente no meio social como um todo? Trata-se de um processo muito complexo, exatamente porque envolve toda a sociedade. A maioria das pessoas se pauta pelos valores conservadores e alguns deles são, de fato, fundamentais, como a justiça, a solidariedade, o respeito pelo outro. Os valores novos custam a se impor e nem sempre são melhores - somente por serem novos. A sociedade os testa, examina, e aceita ou rejeita. O fundamental é evitar que os valores essenciais se percam. Como dar a largada neste processo? Seria o caso de uma campanha nacional de conscientização sobre as responsabilidades de cada um de nós para com os outros? Sim, apostar na educação é fundamental. Mas seria necessário discutir bem antes de partir para uma campanha nacional de conscientização. Não é uma coisa para ser improvisada e sair alardeando. Como vê o papel da mídia brasileira neste contexto? Ela mais educa ou deseduca a população? É a favor de alguma espécie de controle sobre os meios de comunicação? A mídia, no geral, presta um bom serviço, na medida em que informa, traz à tona os problemas e contribui para a sua discussão. Comete erros, mas é melhor errar do que impedir o debate e a divulgação dos fatos e das idéias. É motivo de críticas, entre muitos intelectuais, o fato de o presidente Lula, por vezes, se vangloriar de ter chegado ao posto máximo da República mesmo sem grande carga de educação formal. Como vê essa questão? Até que ponto um presidente com este perfil - e este discurso - é um bom ou um mau exemplo para a população jovem do país? A questão não é ter ou não diploma universitário. Machado de Assis não cursou universidade, mas era um homem culto. Cultura se adquire até sem escola, embora seja melhor que todos possam ir à escola. Ruim é alardear que a cultura é desnecessária e que o corpo-a-corpo com o povo ensina mais que os livros. Uma coisa não exclui a outra, mas os livros ensinam mais, pois contêm as experiências e idéias de muitos homens e de muitas gerações. Numa época em que o conhecimento é fundamental para o desenvolvimento das nações, é melhor que o governante não seja inculto. Quem fez mais pela educação no Brasil: o torneiro mecânico Luiz Inácio Lula da Silva ou o sociólogo Fernando Henrique Cardoso? Fernando Henrique criou o Fundef, que muito contribuiu para a ampliação do ensino fundamental. Lula tem buscado ampliar esse projeto e tomado outras iniciativas em seu segundo mandato. Quais lembranças tem de seus professores? Em que medida eles o atraíram ou o afastaram do universo literário? Não tive estímulo especial de nenhum professor nesse sentido. Mesmo porque, estudei numa escola que visava formar sapateiros, marceneiros e mecânicos. As artes deveriam estar mais presentes no ambiente escolar? Sem dúvida alguma. Deve-se estimular a criatividade das crianças, não para transformar todas elas em artistas. E sim porque a arte enriquece a vida das pessoas. É possível que o professor consiga ser um disseminador da cultura e do hábito da leitura quando, na maioria das vezes, sabemos que ele próprio não tem acesso a estes benefícios? Por isso é necessário formar melhor os professores e, também, pagá-los melhor. De que forma os professores devem trabalhar a literatura em sala de aula? Num mundo tão corrido, repleto de informações e ambientes virtuais, ainda há espaço para o exercício lúdico de embarcar numa viagem proposta por um livro? Não sei a fórmula, não sou professor. Mas não acho que a televisão e o computador tornem inviável o interesse pela literatura. Há, sim, que se começar bem cedo, a fim de que a leitura se torne um hábito na criança. Que mensagem o senhor deixaria aos professores do país no dia 15 de Outubro? Diria aos professores que está nas mãos deles uma das tarefas mais nobres e essenciais para o futuro da sociedade e dos indivíduos. |
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Brasil, Seja Monarca do Mundo!
Oh! Brasil!
Terra natal do meu coração,
amigo que me aquece a alma,
chão celestial da minha vida!
Oh! Brasil!
És minha vida!
Teu levantar impávido
abriu o caminho glorioso
do Kossen-rufu mundial!
Viva, Brasil!
Meu amado Brasil!
Sublime nação do ser humano!
Ainda se aconchega em
meu peito
a doce luz do verão de 1993
que banhava Itapevi,
cidade vizinha de São Paulo.
Ali por fim conheci
o castelo do tesouro,
o Centro Cultural Campestre
com seu exuberante jardim.
A filosofia e a amizade,
ali, são flores banhadas pelo
orvalho da sinceridade.
O fulgor dourado das acácias,
quaresmeiras roxas e rosadas,
vitórias-régias em flor,
brancos lótus tropicais,
mais de cem mil cosmos,
hibiscos, begônias, girassóis...
Todos plantados com dedicação
nos bosques e nas colinas,
florescem radiantes com
todo o esplendor do verde louro.
Ainda me recordo quando sugeri
aos jovens a quem confiei o futuro:
— Vamos dar nome a estas colinas
e àquelas montanhas.
Eles responderam com sabedoria:
— Montanha Mestre e Discípulo!
— Colina Pôr-do-Sol!
Foi um momento de
perfeita harmonia.
Com a beleza de uma obra de arte,
a Colina Pôr-do-Sol se acendeu
escarlate naquela tarde.
Puro esplendor era o poente,
enquanto a Montanha Mestre e
Discípulo mostrava orgulhosa
seu aspecto majestoso.
Foi quando escrevi:
“Sol e bosque são radiantes
na Montanha Mestre e Discípulo
que observa nossa felicidade!”
“Vejo na Montanha Soka
o permanente alicerce
do futuro que nunca se acaba.”
Nada mais belo
do que o reino luminoso
da confiança entre os homens.
Nada mais respeitável
do que o juramento eterno
entre mestre e discípulo.
Disse-me Athayde,
o defensor dos direitos humanos:
— Tanto no Ocidente
como no Oriente,
a mais preciosa virtude
é a confiança no ser humano
cultivada a cada instante
pela crença na relação
entre mestre e discípulo.
A verdadeira crença
eleva e une os homens,
abre e une os corações.
Mestre e discípulo
— a solidariedade verdadeira
entre os seres humanos.
Eis por que a relação
entre mestre e discípulo
é espírito de procura,
desenvolvimento constante
e uma relação eterna.
Kossen-rufu é batalha de mestre e
discípulo.
Buda é quem vence, infalível, e
Brasil é esperança absoluta.
Oh! Brasil!
De tua filha, a índia Iracema,
e do português Martim
nasceu o valente Moacir.
Diz a lenda que desse casal
descende multidão de brasileiros.
Comunhão de raças,
convivência humana,
sonho da democracia racial —
são ideais que fincaram
raízes no Brasil.
Quanto mais te conheço,
quanto mais te visito,
mais palpitante fica meu coração
perante teu poderoso encanto.
O samba, a alma de teu povo.
O carnaval, a energia de tua gente.
Todas as raças cantam e
dançam juntas na maior festa
popular do mundo.
Por que no Brasil
surgiu uma cultura popular
tão autêntica e cheia de paixão?
Ela é a flor e o fruto
de sua turbulenta história
de quinhentos anos.
O anti-humanismo,
o terror da opressão,
a fibra de seu povo soube vencer.
Essa é sua origem.
Nasceu do sofrimento
e da perseverança que venceu
a cobiça secular em busca do ouro.
Por isso proclama orgulhoso:
— Sou teu povo heróico e imbatível!
Por maior que seja o poder,
por mais forte que seja a violência,
nada poderá dominar
a alma altiva do homem.
Um povo autêntico
pode até ser humilhado,
mas nunca destruído.
Quanto mais escarnecido,
mais forte se levanta.
A história da humanidade
aguarda perseverante,
como aurora que se ergue,
a vitória de um povo
sobre seus opressores.
Sua gente heróica move a história
e é a força que abrirá o futuro.
Jorge Amado,
o mestre da literatura brasileira,
enaltece a convivência
harmoniosa das raças
como a dádiva mais
rica dos brasileiros
para a causa do humanismo.
Qual o bem fundamental
que pode o homem deixar
para o futuro da humanidade?
Tão simplesmente o rumo,
o claro e seguro rumo,
para a conquista mais digna
da condição humana:
a convivência solidária das raças.
Oh! Brasil!
Amigos que tanto amo!
A jornada que escolhemos
não é de sossego nem de mágoas.
É o caminhar seguro e valente
desfraldando a
bandeira da esperança,
do otimismo e da convicção!
Não faz mal que seja pouco,
o que importa é que o avanço de hoje
seja maior que o de ontem.
Que nossos passos de amanhã
sejam mais largos que os de hoje.
Que sejam humanistas de
braços fortes
em luta solidária
com as pessoas deserdadas.
Atuem agora e vivam o presente
com a certeza de que neste
exato instante está se
erguendo o futuro.
Deixem seus méritos
gravados na história de suas
contínuas vitórias!
A dificuldade no momento presente
será a glória em seu futuro!
O desbravar do caminho do
novo século será proporcional a
sua caminhada!
Jamais esquecerei
o amigo que luta pela paz, a
amiga que incentiva os
companheiros e o
nobre labor compenetrado
no palco sem desejo de
palmas e ovações.
Oh! filhos do leão!
Os que no Brasil jamais se abalaram
ante a covardia e a ingratidão
de animais disfarçados em mantos clericais, larápios que
usurparam a nobreza do Budismo.
Bonzos decadentes lá em cima
e, embaixo, os membros fiéis
que caminham na retidão:
— Heresia que profana
o sonho brasileiro
da igualdade entre os homens.
Oh! Brasil!
Em ti floresceu a justiça
da Lei Suprema, porque
aprendeste o ensino sagrado:
“Quando bonzos hereges incitam
milhares de seres a banir o sábio,
aquele que mantém em seu coração
o espírito do rei leão
certamente se tornará um buda.”
Oh! Brasil!
Venceste!
Venceste em tudo!
Impávido triunfo conquistaste!
Em Curitiba,
a primeira Praça Makiguti do mundo!
No Estado de São Paulo, a
primeira Rua Toda do mundo!
Em Londrina,
o honroso Parque Ecológico Ikeda!
Do Rio de Janeiro,
a homenagem em louvor à Soka
Tomando a vanguarda do mundo.
E na poética terra do Amazonas
se expande a profunda
amizade e confiança.
Em todo o mundo se distingue
o Brasil com mais de
cem homenagens.
Aqui e ali, em todos os recantos,
desponta o esplendor de
mestre e discípulo Soka exaltando o alto valor de Makiguti e Toda.
Uma pessoa disse admirada:
— No mundo inteiro,
o Brasil é o maior Castelo dos
Três Mestres!
Eis a prova inabalável
que espelha orgulho:
a dedicação de meus companheiros,
cidadãos de bem,
estreitando os laços da
convivência confiante.
Não tenho sombra de dúvida
que a boa sorte desse labor
se estenderá por todas as existências
de geração a geração.
Quem decidiu a vitória colossal
do Kossen-rufu mundial no século XX
foram meus companheiros do Brasil.
E o descortinar do triunfo no século XXI foi abrilhantado
também com galhardia
por meus gloriosos companheiros
do Brasil.
O sábio Darcy Ribeiro
conclui em seu O Povo Brasileiro:
“Estamos nos construindo na luta
para florescer amanhã
como uma nova civilização,
mestiça e tropical,
orgulhosa de si mesma.
Mais alegre porque mais sofrida.
Melhor porque incorpora em si
mais humanidades.
Mais generosa porque
aberta à convivência com
todas as raças e todas as culturas,
e porque assentada na mais bela e
luminosa província da Terra.”
Meus amigos!
No futuro do Brasil não cabe
nem pessimismo nem desilusão.
No horizonte de sua jornada
fulgura sem fim
o azul do céu profundo
de glórias e esperanças.
“A voz executa o trabalho do Buda.”
Eis nossa poderosa arma —
o diálogo sincero,
o rugido corajoso do leão.
A sagrada escritura exalta:
“A Lei não se propaga por si mesma.
Por ser propagada pelas pessoas,
tanto a Lei como as pessoas
tornam-se dignas de respeito.”
Oh! meus amigos!
Por mais distantes que estejamos
nunca estamos separados,
mais próximo está nosso coração.
Percorramos juntos eternamente,
sublimes companheiros do
Kossen-rufu,
pela grande estrada dourada
de paz e felicidade.
“À minha existência, viva!
Sou eu de vitórias mil!”
Levantemos este brado retumbante
pela glória do trabalho triunfante.
Avancemos juntos
na marcha alegre e vitoriosa
ao compasso de união incomparável rumo ao ano 2010 —
Cinquentenário do
Kossen-rufu do Brasil!
Que haja saúde em ti,
vanguardista do novo milênio!
Que haja vitória em ti,
Monarca do Kossen-rufu mundial!
Que haja perene prosperidade
na terra natal de meu coração,
Brasil que se ergue soberbo!
Em 22 de julho de 2001.
Na data da honrosa outorga
do título de Cidadão Honorário
da Cidade de Itapevi, Estado de
São Paulo, no Memorial
Makiguti de Tóquio.
Oro do fundo de meu coração
pela felicidade, saúde e longevidade
cada vez mais abundantes
de todos os companheiros do Brasil,
meus tão preciosos amigos.
Ofereço também minhas profundas orações a todos os
respeitáveis beneméritos
que faleceram durante a jornada
do Kossen-rufu do Brasil.
Espelhando minha maior alegria
e a mais intensa esperança
na expectativa de novamente
visitar a amada terra do Brasil,
junto as mãos em oração.
Terra natal do meu coração,
amigo que me aquece a alma,
chão celestial da minha vida!
Oh! Brasil!
És minha vida!
Teu levantar impávido
abriu o caminho glorioso
do Kossen-rufu mundial!
Viva, Brasil!
Meu amado Brasil!
Sublime nação do ser humano!
Ainda se aconchega em
meu peito
a doce luz do verão de 1993
que banhava Itapevi,
cidade vizinha de São Paulo.
Ali por fim conheci
o castelo do tesouro,
o Centro Cultural Campestre
com seu exuberante jardim.
A filosofia e a amizade,
ali, são flores banhadas pelo
orvalho da sinceridade.
O fulgor dourado das acácias,
quaresmeiras roxas e rosadas,
vitórias-régias em flor,
brancos lótus tropicais,
mais de cem mil cosmos,
hibiscos, begônias, girassóis...
Todos plantados com dedicação
nos bosques e nas colinas,
florescem radiantes com
todo o esplendor do verde louro.
Ainda me recordo quando sugeri
aos jovens a quem confiei o futuro:
— Vamos dar nome a estas colinas
e àquelas montanhas.
Eles responderam com sabedoria:
— Montanha Mestre e Discípulo!
— Colina Pôr-do-Sol!
Foi um momento de
perfeita harmonia.
Com a beleza de uma obra de arte,
a Colina Pôr-do-Sol se acendeu
escarlate naquela tarde.
Puro esplendor era o poente,
enquanto a Montanha Mestre e
Discípulo mostrava orgulhosa
seu aspecto majestoso.
Foi quando escrevi:
“Sol e bosque são radiantes
na Montanha Mestre e Discípulo
que observa nossa felicidade!”
“Vejo na Montanha Soka
o permanente alicerce
do futuro que nunca se acaba.”
Nada mais belo
do que o reino luminoso
da confiança entre os homens.
Nada mais respeitável
do que o juramento eterno
entre mestre e discípulo.
Disse-me Athayde,
o defensor dos direitos humanos:
— Tanto no Ocidente
como no Oriente,
a mais preciosa virtude
é a confiança no ser humano
cultivada a cada instante
pela crença na relação
entre mestre e discípulo.
A verdadeira crença
eleva e une os homens,
abre e une os corações.
Mestre e discípulo
— a solidariedade verdadeira
entre os seres humanos.
Eis por que a relação
entre mestre e discípulo
é espírito de procura,
desenvolvimento constante
e uma relação eterna.
Kossen-rufu é batalha de mestre e
discípulo.
Buda é quem vence, infalível, e
Brasil é esperança absoluta.
Oh! Brasil!
De tua filha, a índia Iracema,
e do português Martim
nasceu o valente Moacir.
Diz a lenda que desse casal
descende multidão de brasileiros.
Comunhão de raças,
convivência humana,
sonho da democracia racial —
são ideais que fincaram
raízes no Brasil.
Quanto mais te conheço,
quanto mais te visito,
mais palpitante fica meu coração
perante teu poderoso encanto.
O samba, a alma de teu povo.
O carnaval, a energia de tua gente.
Todas as raças cantam e
dançam juntas na maior festa
popular do mundo.
Por que no Brasil
surgiu uma cultura popular
tão autêntica e cheia de paixão?
Ela é a flor e o fruto
de sua turbulenta história
de quinhentos anos.
O anti-humanismo,
o terror da opressão,
a fibra de seu povo soube vencer.
Essa é sua origem.
Nasceu do sofrimento
e da perseverança que venceu
a cobiça secular em busca do ouro.
Por isso proclama orgulhoso:
— Sou teu povo heróico e imbatível!
Por maior que seja o poder,
por mais forte que seja a violência,
nada poderá dominar
a alma altiva do homem.
Um povo autêntico
pode até ser humilhado,
mas nunca destruído.
Quanto mais escarnecido,
mais forte se levanta.
A história da humanidade
aguarda perseverante,
como aurora que se ergue,
a vitória de um povo
sobre seus opressores.
Sua gente heróica move a história
e é a força que abrirá o futuro.
Jorge Amado,
o mestre da literatura brasileira,
enaltece a convivência
harmoniosa das raças
como a dádiva mais
rica dos brasileiros
para a causa do humanismo.
Qual o bem fundamental
que pode o homem deixar
para o futuro da humanidade?
Tão simplesmente o rumo,
o claro e seguro rumo,
para a conquista mais digna
da condição humana:
a convivência solidária das raças.
Oh! Brasil!
Amigos que tanto amo!
A jornada que escolhemos
não é de sossego nem de mágoas.
É o caminhar seguro e valente
desfraldando a
bandeira da esperança,
do otimismo e da convicção!
Não faz mal que seja pouco,
o que importa é que o avanço de hoje
seja maior que o de ontem.
Que nossos passos de amanhã
sejam mais largos que os de hoje.
Que sejam humanistas de
braços fortes
em luta solidária
com as pessoas deserdadas.
Atuem agora e vivam o presente
com a certeza de que neste
exato instante está se
erguendo o futuro.
Deixem seus méritos
gravados na história de suas
contínuas vitórias!
A dificuldade no momento presente
será a glória em seu futuro!
O desbravar do caminho do
novo século será proporcional a
sua caminhada!
Jamais esquecerei
o amigo que luta pela paz, a
amiga que incentiva os
companheiros e o
nobre labor compenetrado
no palco sem desejo de
palmas e ovações.
Oh! filhos do leão!
Os que no Brasil jamais se abalaram
ante a covardia e a ingratidão
de animais disfarçados em mantos clericais, larápios que
usurparam a nobreza do Budismo.
Bonzos decadentes lá em cima
e, embaixo, os membros fiéis
que caminham na retidão:
— Heresia que profana
o sonho brasileiro
da igualdade entre os homens.
Oh! Brasil!
Em ti floresceu a justiça
da Lei Suprema, porque
aprendeste o ensino sagrado:
“Quando bonzos hereges incitam
milhares de seres a banir o sábio,
aquele que mantém em seu coração
o espírito do rei leão
certamente se tornará um buda.”
Oh! Brasil!
Venceste!
Venceste em tudo!
Impávido triunfo conquistaste!
Em Curitiba,
a primeira Praça Makiguti do mundo!
No Estado de São Paulo, a
primeira Rua Toda do mundo!
Em Londrina,
o honroso Parque Ecológico Ikeda!
Do Rio de Janeiro,
a homenagem em louvor à Soka
Tomando a vanguarda do mundo.
E na poética terra do Amazonas
se expande a profunda
amizade e confiança.
Em todo o mundo se distingue
o Brasil com mais de
cem homenagens.
Aqui e ali, em todos os recantos,
desponta o esplendor de
mestre e discípulo Soka exaltando o alto valor de Makiguti e Toda.
Uma pessoa disse admirada:
— No mundo inteiro,
o Brasil é o maior Castelo dos
Três Mestres!
Eis a prova inabalável
que espelha orgulho:
a dedicação de meus companheiros,
cidadãos de bem,
estreitando os laços da
convivência confiante.
Não tenho sombra de dúvida
que a boa sorte desse labor
se estenderá por todas as existências
de geração a geração.
Quem decidiu a vitória colossal
do Kossen-rufu mundial no século XX
foram meus companheiros do Brasil.
E o descortinar do triunfo no século XXI foi abrilhantado
também com galhardia
por meus gloriosos companheiros
do Brasil.
O sábio Darcy Ribeiro
conclui em seu O Povo Brasileiro:
“Estamos nos construindo na luta
para florescer amanhã
como uma nova civilização,
mestiça e tropical,
orgulhosa de si mesma.
Mais alegre porque mais sofrida.
Melhor porque incorpora em si
mais humanidades.
Mais generosa porque
aberta à convivência com
todas as raças e todas as culturas,
e porque assentada na mais bela e
luminosa província da Terra.”
Meus amigos!
No futuro do Brasil não cabe
nem pessimismo nem desilusão.
No horizonte de sua jornada
fulgura sem fim
o azul do céu profundo
de glórias e esperanças.
“A voz executa o trabalho do Buda.”
Eis nossa poderosa arma —
o diálogo sincero,
o rugido corajoso do leão.
A sagrada escritura exalta:
“A Lei não se propaga por si mesma.
Por ser propagada pelas pessoas,
tanto a Lei como as pessoas
tornam-se dignas de respeito.”
Oh! meus amigos!
Por mais distantes que estejamos
nunca estamos separados,
mais próximo está nosso coração.
Percorramos juntos eternamente,
sublimes companheiros do
Kossen-rufu,
pela grande estrada dourada
de paz e felicidade.
“À minha existência, viva!
Sou eu de vitórias mil!”
Levantemos este brado retumbante
pela glória do trabalho triunfante.
Avancemos juntos
na marcha alegre e vitoriosa
ao compasso de união incomparável rumo ao ano 2010 —
Cinquentenário do
Kossen-rufu do Brasil!
Que haja saúde em ti,
vanguardista do novo milênio!
Que haja vitória em ti,
Monarca do Kossen-rufu mundial!
Que haja perene prosperidade
na terra natal de meu coração,
Brasil que se ergue soberbo!
Em 22 de julho de 2001.
Na data da honrosa outorga
do título de Cidadão Honorário
da Cidade de Itapevi, Estado de
São Paulo, no Memorial
Makiguti de Tóquio.
Oro do fundo de meu coração
pela felicidade, saúde e longevidade
cada vez mais abundantes
de todos os companheiros do Brasil,
meus tão preciosos amigos.
Ofereço também minhas profundas orações a todos os
respeitáveis beneméritos
que faleceram durante a jornada
do Kossen-rufu do Brasil.
Espelhando minha maior alegria
e a mais intensa esperança
na expectativa de novamente
visitar a amada terra do Brasil,
junto as mãos em oração.
Do poeta laureado do mundo
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